O procurador geral de justiça de São Paulo, Fernando José Martins, vai decidir nas próximas horas se o caso do empresário Ernesto Iannoni, vítima de golpe superior a R$ 50 milhões, aplicado pelos próprios filhos, será reaberto ou não. A investigação foi arquivada a pedido do promotor Fernando Vernices dos Anjos, que não viu discrepância importante no golpe de R$ 1 milhão.
A Procuradoria Geral de Justiça, em nota, afirma que as justificativas para o arquivamento “estão expostos na petição juntada aos autos…” A nota ainda explica que “houve recurso do arquivamento pelos advogados da vítima, que será julgada pelo Procurador Geral de Justiça”.
O CASO
O Ministério Público de São Paulo, que em 2005 considerou a doméstica Angélica Aparecida de Souza Teodoro, um risco para a sociedade, após ela furtar um pote de manteiga de R$ 3,20, agora surge “descriminalizando” e exaltando o “princípio da insignificância” diante de um golpe de R$ 1 milhão, aplicado por dois empresários contra o próprio pai, um idoso de 88 anos.
O caso foi arquivado a pedido do promotor de justiça Fernando Vernices dos Anjos. Na verdade, o prejuízo do pai passa dos 50 milhões.
O empresário Ernesto Lannoni comprova com documentos juntados ao processo que seus próprios filhos, armaram uma cilada contábil, que contou até com perícia contratada para subavaliar a participação dele na empresa que ele mesmo fundou, a Flexform, fabricante de cadeiras para escritório.
Em vez dos, cerca de R$ 50 milhões que os acusados afirmam por várias vezes que seria a parte de Ernesto, ele recebeu apenas R$ 15 milhões. Os filhos já haviam declaro que o valor da empresa seria de pelo menos R$ 200 milhões.
O promotor Fernando Vernices dos Anjos já havia admitido novas diligências pelo delegado Jean Cerri Casso, inclusive pedido nova perícia. Mais tarde, o promotor simplesmente opinou pelo arquivamento do inquérito.
Na justificativa para enterrar a investigação, Vernices dos Anjos deixa claro que R$ 1 milhão não reapresenta grande valor, alegando que a avaliação da Flexform apresentava essa pequena diferença. O mais impactante na manifestação de Fernando dos Anjos está na conclusão a que ele chegou em relação à diferença de valores apresentada pelos filhos, em prejuízo do pai idoso.
O promotor deixa claro que R$ 1 milhão não é grande coisa, pois afirma: “Não há, portanto, grande discrepância do laudo de avaliação originário realizado pela VALLIUN ENGENHARIA E AVALIAÇÕES S/C LTDA”, afirma.
No caso, os motivos do arquivamento estão expostos na petição juntada aos autos (fls.4000/4010) e houve recurso do arquivamento pelos advogados da vítima, que será julgada pelo Procurador Geral de Justiça, que decidirá se é o caso de continuar as investigações, indicar outro Promotor de Justiça para oferecer denúncia ou se é caso mesmo de arquivar. Esse é o procedimento legal normal, que está sendo seguido como em todos os casos criminais”.
Discussion about this post